Van Gogh, Por Ele Mesmo


A vida de Vincent Willem Van Gogh foi um monólogo.
Completamente sozinho ele viveu assombrado pelo fantasma do fracasso e ao mesmo tempo obstinado em pintar aquilo que, na época, ninguém via como arte.
Embora tenha vivido em Paris durante os primeiros anos do movimento Impressionista, Van Gogh não fez parte do grupo de Manet, Monet e Pissaro. Tivesse ele a oportunidade de conviver com esse grupo, talvez tivesse sofrido menos com a incompreensão e não seria tão angustiante sua busca por uma nova maneira de pintar.
Assim como Gaugin, com quem viveu uma relação pessoal e artística bastante tumultuada, Van Gogh é considerado pós impressionista, a ponte entre o Impressionismo e o Expressionismo.
De impressionista Van Gogh tinha o rompimento com os padrões vigentes de pintura, buscando na luz e no movimento a essência da arte, transmitida através de pinceladas soltas. Mas ele buscava ainda capturar as expressões da vida, a intenção atrás de um gesto, o sentimento inserido em uma paisagem ou tema.
A produção de Van Gogh era absurdamente intensa. Em apenas 8 anos como pintor produziu cerca de 800 telas sendo que, nos últimos anos de vida e talvez no auge de sua loucura, chegou a pintar 1 quandro por dia.
Ele cometeu o suicídio aos 37 anos e os últimos 17 anos de sua vida foram registrados em cartas escritas para o irmão Theo, que também foi seu mecenas. E são essas cartas que deram origem ao espetáculo escrito, dirigido e encenado pelo ator Alexandre Ferreira, em cartaz no Sesc Consolação.
Vincent Willem Van Gogh é um monólogo com texto vigoroso e uma encenação bastante simples, como foi a vida do próprio pintor. Projeções em um telão misturam o personagem a algumas de suas obras mais importantes, produzindo um efeito que se adéqua perfeitamente à proposta, apesar de não ser nenhuma novidade como recurso.
Alguns momentos no entanto mereciam soluções cênicas um pouco melhores. Como quando Van Gogh tem sua orelha decepada e, mais no final, quando ele aparece com a orelha milagrosamente recuperada.
Também achei estranhos os momentos em que Alexandre dá o texto com os dentes cerrados, dificultando a compreensão das palavras. Se a idéia era evidenciar os ápices de loucura do personagem... bem,não rolou. Não ficou legal.
Vincent Willem Van Gogh é um bom espetáculo, principalmente pelo texto que alinhava com precisão as cartas, transformando-as no que de fato eram, um monólogo, um auto-retrato de seu autor.

Vincent Willen Van Gogh
texto, direção e interpretação de Alexandre Ferreria
Segundas e Terças-feiras às 21 horas
Sesc Consolação - Espaço Beta
Rua Dr.Vila Nova, 245 - São Paulo
Ingresso: R$ 10,00

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