Diderot, O Libertino


Meu amigo, o arquiteto Gustavo Gasparoto, tem uma frase ótima: "Deus deu um cu para cada um, justamento para que cada um cuide do seu".
Lembrei muito dessa frase após assistir a peça O Libertino, dirigida por Jô Soares e estrelada por Cássio Scapin. Se Diderot me perguntasse o que escrever no verbete "Moral" de sua enciclopédia, certamente minha sugestão seria a frase de meu amigo.
E, resumindo a ópera, essa é a discussão mega-divertida proposta pelo texto de Eric Emmanuel Schmitt, em cartaz no teatro Cultura Artística Itaim até 27 de novembro.
Sempre com sessões lotadas, O Libertino é um dos grandes sucessos da temporada e milhares de pessoas já gargalharam com o drama do libertino Diderot, em conflito com seus próprios conceitos, na hora de formular uma definição do que é a Moral, para expor em sua famosa enciclopédia.
O que mais me chamou a atenção no espetáculo foi a concepção à "moda antiga". Fazia algum tempo que eu não via uma peça de teatro com cortina, cenários... Lembra? Era assim antes de alguém decretar que teatro moderno é aquela coisa árida, vazia.
Mas certamente o grande destaque de O Libertino é a atuação de Cássio Scapin, comprovando ser um dos principais atores de sua geração.
As caras do Diderot de Scapin, diante de situações mega saia-justa, são impagáveis. A intepretação estilizada de Erica Montanheiro, como a filha do filósofo, também é muito engraçada.
Mas o melhor de tudo é a conclusão de que não há como definir Moral. Na prática cada um tem sua própria definição e age como lhe convém, independente das convenções socias.
E o verbete acabou não entrando na enciclopédia.

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