Mapplethorpe in Paris

O famoso Grand Palais em Paris é um dos espaços de exposição mais severos da Europa. É onde, geralmente, a França homenageia seus grandes artistas.
Mas até 13 de julho quem ocupa o Grand Palais é um fotógrafo norte americano, muitas vezes chamado de pornográfico, quando não de fútil e superficial. Nos 25 anos de sua morte, Robert Mapplethorpe tem, enfim, o reconhecimento merecido.
E muito disso deve ser creditado à Patti Smith, que não poupa esforços e nem seu talento para manter sua memória viva a memória do grande amigo. Amizade essa documentada em muitas fotos de Mapplethorpe e também no maravilhoso e autobiográfico livro Apenas Garotos, que Smith lançou em 2010 e que, de imediato, tornou-se um clássico da literatura americana.
O livro conta não apenas a amizade dos dois mas também descreve, com uma incrível riqueza de detalhes e personagens, um dos momentos mais fervilhantes da cultura americana, além de lançar um outro olhar sobre as fotografias às vezes banais, às vezes poéticas e muitas vezes difíceis de Mapplethorpe.
Em 2009 Smith esteve por trás também da exposição de Mapplethorpe em na Galleria dell'Accademia, em Florença, ao lado de obras de Michelangelo que, segundo a poetiza e diva do rock, muito teria influenciado as fotografias de seu eterno amigo.
Mapplethorpe foi um artista que usou a fotografia como recurso e não um fotógrafo de arte, como outros grandes fotógrafos antes e depois dele. Sam Wagstaff, seu mais importante mecenas, costumava a dizer que não havia branco mais branco e nem preto mais preto que nas fotografias de seu protegido. E não havia mesmo. Ele tinha um domínio absoluto sobre a luz e a composição, fosse mostrando um nu ou uma flor.






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