A Relação Entre O Homem E A Natureza


Apesar de ser considerada um material fácil de trabalhar, a madeira através dos tempos foi mais empregada para representar divindades nas mais variadas religiões.
O italiano Willy Verginer cria grandes esculturas que surpeendem pelo realismo e pela proposta. A madeira explorada em todas as suas potencialidades se transforma em peças poéticas e críticas que exploram a relação entre o homem e a natureza.


Os dois filhos de Willy, Matthias Verginer e Christian Verginer, ambos tão talentosos quanto seu pai, seguem o mesmo caminho mas com personalidade. O trabalho dessa família de escultores eleva a um outro patamar o entalhe e às esculturas feitas em madeira.














The Art of the Bricks


O shopping Iguatemi Campinas traz a exposição The Art of the Brick®, do artista plástico norte americano Nathan Sawaya, composta por 83 esculturas feitas com mais de um milhão de peças LEGO®.
Vista por mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo, essa primeira montagem da exposição no Brasil fora de uma capital.


Os tijolinhos coloridos para montar e desmontar fizeram e fazem parte da infância de muita gente mas alcançam outro nível nas mãos desse artista que abandonou a carreira de advogado e tornou-se mundialmente conhecido por suas esculturas que misturam o lúdico, a pop art e algo de surreal.


A exposição que já passou por verdadeiros templos da arte como a Oca, em São Paulo, fica no Iguatemi Campinas de 23 de agosto a 22 de outubro.





"Solos", de Angelina Zambelli


Quando decidiu canalizar sua força criativa para a cerâmica, Angelina Zambelli foi estudar com alguns dos maiores mestres em artes cerâmicas no Brasil. Logo após seu primeiro prato já era muito claro para ela que os utilitários não eram sua vocação.
Angelina vê a cerâmica como um pintor vê uma tela em branco e sobre ela trabalha os esmaltes e óxidos que reagem de diferentes maneiras a queima em altas temperaturas, resultando em formas abstratas e cores impactantes, em parte por obra do acaso e em parte pelo controle que ela exerce sobre o processo.



Na série "Lógica" (de 2014), a artista apresentava já um grande amadurecimento e domínio de técnica embora ainda estivesse presa à modelagem do barro. A liberdade viria na série "Nuvens" (de 2015) onde suas esculturas assumiriam o papel de quadros, com a argila esticada como um canvas e suas "pinturas", feitas a fogo, ganhariam destaque.


Na exposição "Solos", inaugurada no último dia 10 de agosto na Pinacoteca Municipal Diógenes Duarte Paes - Jundiaí, vemos uma artista transformada, totalmente segura de si, mergulhando fundo em suas convicções, em suas crenças e no seu fazer artístico.
Minimalista, essencial e primitiva, a obra de Angelina Zambelli volta às origens ancestrais da cerâmica onde cuias e pequenos potes (os utilitários que ela até então renegou), ora côncavas e ora convexas, criam composições surrealistas que remetem ao feminino e a fertilidade, ao sagrado e ao ritualístico.


Ao entrar na sala da exposição o visitante se sente entrando em um templo perdido em uma floresta. Na ambientação criada pela arquiteta Larissa Carbone e pelo curador Marco Antonio Andre, o verde e os tons terrosos presentes em todas as peças envolvem toda a exposição, e um imenso painel feito a partir de fotos do Estúdio Duplo, cumpre a função de altar, onde um trecho de um poema de Cora Coralina sobre a terra, surge como uma oração.


Parte das esculturas, criadas para ficarem penduradas em paredes, estão sobre mesas convidando o visitante a examiná-las de perto ao invés de contemplá-las à distância. O ato de curvar-se produz em nós o efeito da busca (do alimento, da água, do conhecimento e da espiritualidade).
"Solos" é a terceira exposição individual de Angelina Zambelli, uma artista em ascensão no cenário da arte contemporânea, premiada com a medalha de prata na Exposição de Cerâmica Artística Ykoma (2012) e duas vezes menção honrosa na Grande Exposição de Arte Bunkyo (2013 e 2016).



Serviço:
Exposição "Solos", de Angelina Zambelli
Até 04 de Setembro
Pinacoteca Municipal Diógenes Duarte Paes
Rua Barão de Jundiaí, 109 - Jundiaí - SP
De terça a sexta-feira das 9 às 17 horas.
Aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 16 horas
Entrada Franca
A exposição "Solos" tem curadoria de Marco Antonio Andre, projeto da arquiteta Larissa Carbone e o patrocínio cultural da Stock Brazil, Hansa Iluminação, Mig Climatização, Estúdio Duplo Fotografia, Focus Mídia Exterior e Touch Conteúdo Interativo.






A Loucura Criativa de Adolf Wölfli


Vincent Van Gogh, Virginia Woolf, Ernest Hemingway e os nossos Bispo do Rosário e Clarice Lispector são alguns dos exemplos mais conhecidos de pessoas geniais que sofriam de doenças psicológicas. Mas há ainda um grande número de artistas que buscam a criatividade em artifícios que os tiram de seu estado normal de consciência.
Segundo Aristóteles, “aqueles que se tornam eminentes têm todos uma tendência à melancolia”. Isso talvez explique a longa lista de artistas e criadores que morrem de overdose ou são vítimas de depressão.
Mas a loucura está diretamente ligada à criatividade e a genialidade?


Nas artes plásticas esses outsiders estão cada vez mais em alta e há muitos colecionadores procurando por obras Art Brut, nome criado em 1945 pelo francês Jean Dubuffet para designar a arte produzida por criadores livres da influência de estilos e das imposições do mercado de arte.
Fundador da Companhia de Arte Bruta, Dubuffet colecionava obras produzidas por criadores fora do meio artístico: com distúrbios sociais e comportamentais, depressivos e principalmente internos em hospitais psiquiátricos onde eventualmente a arte era usada como forma de tratamento.
Para Dubuffet o suíço Adolf Wölfli (1864-1930), era o símbolo da Arte Bruta. Wölfl viveu em um hospício dos 31 aos 66 anos, período em que produziu um grande número de desenhos caracterizados por uma complexidade, intensidade e detalhismo impressionantes.


Vítima de violência e abuso sexual quando criança,  Wölfli ficou órfão aos 10 anos e passou toda sua adolescência em orfanatos. Durante sua juventude envolveu-se várias vezes em tentativa de abuso contra crianças e foi internado em 1895 em um hospital psiquiátrico em Berna, de onde nunca mais sairia.


Relatos dos médicos que o acompanhavam dizem que ele recebia todos os dias pela manhã papel e 1 lápis. Wölfli desenhava tão freneticamente que um lápis não durava 2 dias. No Natal ele ganhava uma caixa de lápis de cor, que seria consumida em menos de 2 semanas. Ele também vendia alguns desenhos para visitantes da clínica para poder comprar mais papel e lápis.


Em 1908 Wölfli começou a trabalhar em uma auto-biografia de 2.500 páginas que envolviam poesia, prosa, música e 1.600 desenhos que continham relatos reais de sua vida e também alucinações fantasiosas.




Suas obras hoje estão na Fundação Adolf Wölfli no Museu de Belas Artes de Berna.

Memento Mori.


Sou um apaixonado por caveiras desde quando o estilista inglês Alexander McQueen começou a usá-la como símbolo de sua grife. Até então elas representavam para mim apenas coisas não muito positivas e vê-las associadas à moda, especialmente à alta moda desse gênio criativo, me fez pesquisar e refletir sobre seu significado.
Na antiguidade as caveiras simbolizavam poder, conhecimento,  transformação e o efêmero da vida. Eram associadas à  um conceito filosófico da Idade Média chamado "Memento Mori" (lembre-se da morte, em tradução literal), difundido especialmente na literatura e cujo significado era a consciência de que tudo é passageiro.
Ao associá-la à suas criações, o mestre McQueen provavelmente queria mostrar exatamente isso, que a moda é passageira, a beleza é passageira, assim como a vida. Na minha interpretação, ele mostrava também que somos todos iguais e temos o mesmo destino.
Outro inglês - o artista, ilustrador e diretor de arte, Billelis - é o autor desta série de caveiras magnificamente ornamentadas que igualmente nos fazem pensar no efêmero do luxo, da riquesa e do poder.






À Flor da Pele


O alemão Chris Conn Askew já figurou entre os mais conceituados tatuadores e depois de 16 anos nessa área, resolveu trasportar seu traço perfeito, sua paixão pelas cores e seu estilo peculiar para uma bem sucedida carreira como ilustrador.


Suas pinturas mantêm a influência da arte da tatuagem, com a paleta cromática tradicional européia, algumas referências japonesas e com claras características vintage de cabarés. Usando aquarela, guache de tinta grafite e folhas de ouro, Christopher cria um universo atemporal e cheio de um humor sombrio, com animais fantásticos, ícones religiosos sedutores e o corpo feminino.


Atualmente Christopher se dedica à pintura, tatuagem e outros projetos criativos, como a criação de jóias, sempre através da marca SekretCity, que funciona para ele quase como um manto de invisibilidade, já que ele prefere viver no anonimato.